domingo, 21 de junho de 2015

Cor de amargo.




Não fiz questão de sentir o frio, apenas fingi que ele não existia. Não fiz questão de enxergar todas as estrelas da noite, porque achei que as que estavam na minha frente seriam mais bonitas. Eu perdi o tempo do pôr-do-sol, porque alguém me ofereceu um balão, não que eu não goste, mas teria tido uma foto impecável. Meu riso não foi o mesmo, não teve o mesmo gosto de sorvete, de baunilha ou de violeta. Aquele balão não daria nem pra me arrancar um sorriso num dia nublado. Tempo perdido não volta mais, não retrocede. Não dá pra devolver esse lindo balão cor-de-amargo, cor vazia, e era isso que ele parecia, um vazio. Talvez eu pudesse ter enchido até a tampa da minha alma com todas as cores do arco-íris de uma vez só. Mas o tempo não retrocede. Eu poderia ter virado cambalhota, dançado ou até entoado um canto em qualquer tom, só pra acompanhar a noite vindo. Aposto que a lua gostaria. Aposto que todos gostariam, e gostariam mais de mim sem aquele balão. Quando olhei pra trás, já era tarde o suficiente e as estrelas já estavam em suas posições de vigias, sabendo de tudo que fazemos elas me encararam e eu o fiz de volta. Num suspiro profundo uma lágrima sem rumo caiu dos meus olhos, pairando sobre aquela bola sem vida que eu levava. Minha lágrima tinha o brilho de uma estrela ainda nova, ainda sem sua explosão, e eu era isso. Sinceramente, odeio o ódio. Abracei com todo carinho aquele balão-sem-futuro, até que sim, ele, explodisse. Gentilmente lhe dei um obrigada , oras ! Sem ele, imagine , poderia ter perdido coisas melhores , poderia perder o quebrar das ondas, o vento delicadamente batendo nas árvores enquanto faz voar suas folhas. Poderia perder um dia inteiro, ou quem sabe noite. Poderia perder algo cor de vida. Poderia perder um abraço de amigo. Poderia perder um sorriso bobo de alguém com saudades. Poderia perder uma gargalhada sem razão. Poderia perder a minha , vida. Obrigada.



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