quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eu sinto pena de mim , por aceitar ser assim, inconstante.


  As vezes não temos culpa do destino, mas senti saudades da Morte no momento em que nasci, senti saudades de especificar , minha querida , minha alma está nascendo nova, deixe minha mente nova como esta, e limpa, limpa do mal de outras vidas, limpa de sombras. Ela riu e de malandra disse que gostou de mim . Nasci pronto para vê-la novamente.
 A vida se distorce em mar de rosas vermelhas, e num flash de imagens mórbidas, meu coração me envolve num rancor e todo o necessário é correr até uma ponte, pular e deixar abaixo da terra toda a dor. Mas morrer não é a solução, e nem é o que realmente se queria, o pedido era fugir, deixar, o pedido era "fazer falta".
 Talvez fosse esse o descontentamento diante dos meus olhos, será que faria falta? Será que todo aquele riso de disfarce ao choro e lágrima, faria falta à alguém? A lua se desfazia em nuvens e as estrelas acompanhavam-na ao passo que se tornava difícil vê-las. Não é engraçado se sentir sozinha quando tem tanta gente por perto, não é bom amar com toda essa intensidade, transparência, e só receber máscaras.
Não é fácil esconder as lágrimas durante meses, e quando elas vêm a tona, não pense que é razoável contê-las. É como sentir a alma implorando pra ser livre.
 Num sonho distante, obtive asas, mas a realidade me puxou e me ancorou na dor.
 É só que contos de fadas em preto e branco, não devem ser contados a ouvidos errados. É só que todos esses anjos poderiam ter me avisado que o meu também seria. É só que é difícil esconder cicatrizes que queimam , sempre.
 É preferível distorcer os fatos. É preferível omitir. Risos que vêm de lágrimas, não confortam meu coração. E anjos sem asas brancas nunca serão capaz de me fazerem sentir um pouco melhor.
 Mas do que adianta contar ao mundo ? Gritar? Quando nem um pedido de perdão repõe o pouco da dignidade, o amor se desfaz em mil pétalas de dor, e sem cor, minha pele recorda o frio, o sono, o silêncio de alguém que sempre quis gritar.
 A gente não escolhe o destino, não há dois caminhos. As correntes nos pegam as vezes, mas depois passa. Essa é minha esperança.
 Mas eu me vi fugir, pra algum lugar que não é lugar.Eu vou estar sempre aqui, do mesmo jeito, com o mesmo sorriso, só não observe a fundo meu olhar, por que esse meu querido, já não está mais por aqui, já se esconde por medo e já faz um bom tempo que esse olhar não sorri, da forma como um dia eu pude fazer.
 Quando os dias passam em segundos e todo o seu riso, é apenas para enrolar a dor, enrolar o choro. E você se consola dizendo: "calma menina já vai chegar a noite" .
 É loucura desistir assim ?
 Penso mais que é loucura insistir, tentar tampar, tentar não lembrar. Eu só preciso que os dias me deem sorrisos, olhares e cheiros de baunilha. Preciso de me apoiar na bengala de amizades e sorrir torto quando rirem da minha fraqueza. Eu só preciso de tudo isso, pra desistir da ponte, desistir da terra, e acreditar ainda que se destino existe, nós ainda iremos nos cruzar novamente, e a cura das minhas cicatrizes vai ser contar todos esses contos, aos ouvidos certos.
 Eu sinto pena de mim , por aceitar ser assim, inconstante.



Nenhum comentário: