sexta-feira, 14 de junho de 2013

Você respira, mas nem sabe quem é


 E a alma engole o coração, e não lhe permite mais bater por si mesmo. Não adianta lágrimas, ele não é mais seu, de que adianta esforço se nem amar lhe será permitido? Vai , aceita a escuridão que te rodeia, aceita o silêncio e permaneça nele. Você respira, mas nem sabe quem é. Acha que vai fazer falta pro mundo, mas após a morte, após seu coração estar liberto da alma para morrer, vai se passar um inverno e ninguém mais vai lembrar de chorar de lembranças, ninguém mais vai lembrar de sorrir pelo o que você dizia, ninguém mais vai falar " Poxa, que saudade". Como regra, todo mundo abaixa a cabeça e aceita a morte, há quem deixe que você viva pela eternidade, dentro do seu coração, mas a maioria há apenas de fingir lamento e dizer "O jeito é seguir a vida, o que eu posso fazer?"
 A vida é tão curta pra um eu, que nem se houvessem duas eu ainda não seria capaz de me encontrar. Tem gente que vive de regra,  tem gente que diz que não pode sair na chuva, que diz que não pode beber água de cabeça para baixo, tem gente que é todo mundo, tem gente que não vive. Tem gente que não se importa com a vida, que vive intensamente, que vive para si, tem gente que mente. Tem gente como a gente, que só quer que amanhã chegue logo, porque o dia de hoje já se tornou monótono, já entrou de novo na rotina, tem gente que espera que "amanhã seja um novo dia."
" Como faz pra amar?" Ela olhava no espelho e indagava à si mesma "Como faz pra amar?" Ela não entendia, mas nem que tentasse ela conseguia sequer uma semana com borboletas no estômago, falta de concentração e o mundo inteiro cor de rosa. Porque só ela? O que ela tinha de errado afinal? Era o sorriso torto, ou porque ela não sabia tocar violão? Era porque ela não escrevia poemas ou porquê não se dignou à decorar as musiquinhas românticas de rádio? O que fazer num dia nublado?
 Diga-se de passagem que o amor foi como balas, e acrescento como complemento que nossa pequena menina era envolta de um colete contra as mesmas. O porquê? Eis a incógnita, nem a mesma sabia, a pobrezinha sofria como as estrelas buscam por um espaço no céu num dia nublado.
 Talvez fosse uma cicatriz do passado, talvez amor que não lhe deram, talvez esperanças à mercê do destino, talvez ela tivesse achado que a vida era um sonho, e talvez fosse, e quando acordou, se tornou real, se tornou real como eu e você, e na vida real, bem , na vida real o amor é como balas.
 Os dias eram nublados quando ela abria a janela do quarto escuro, em silêncio ela cantava qualquer parte do livro que havia lido pela centésima vez. Com o pijama surrado ela limpava as lágrimas, não é que seja certo, mas não havia amor naquela menina, não havia sorrisos e nem corações em seus diários. Marcada pela dor, seu sangue doía, e ela já estava cansada de respirar. Decidiu se entregar, se entregar à escuridão ao redor, ao vazio da sua voz, decidiu se entregar à dor insuportável de não poder sorrir.
 Você respira, mas nem sabe quem é
 Vai , aceita a escuridão que te rodeia, aceita o silêncio e permaneça nele.
 Ninguém mais vai lembrar de sorrir pelo o que você dizia
 E a alma engole o coração, e não a permite mais bater viver.

 E num dia nublado, não haviam estrelas disputando um espaço no céu, mas havia uma mãe fechando uma janela de um quarto agora vazio, deixando escapar uma lágrima, olhou para o céu coberto e sussurrou sorrindo: " Sinto saudades de te ouvir dizer , eu te amo mãe."

Nenhum comentário: