segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pensamento do dia: "Quando a alma morre e o corpo permanece vivo."


E todo dia quando acordávamos éramos juntos, mas longe, e ainda juntos. Numa ligação, um bom dia e flores. Num abraço, um eu te amo e doces. Viajávamos pra Júpiter à tarde e pra Lua à noite. Eram dias ensolarados quando podíamos nos ver, e dias nublados quando um ou outro simplesmente viajava.
 Simplesmente nos completávamos.
 E os dias se passavam e a intensidade de um sentimento de sorriso só aumentava, e eu podia sentir como se nunca fosse acabar, e que seria infinito de acordo com a vida. Ele me prometeu que seria pra sempre, com aquele mesmo brilho no olhar que sempre teve quando olhava nos meus olhos, com aquele sorriso e aquele rosado no rosto quente por me sentir ali enquanto ele dizia: "Não vá, apenas fique, fique pra sempre, fique o quanto puder, e se puder a vida toda está de bom tamanho, se puder menos terei que reduzir a minha junto, pois sem você não sou eu, sem você perco a alma, sem você não existo" Eu apenas o fitava e o calava com beijos, nos quais ele sempre soube que era uma resposta para tudo que dizia.
 Num dia nublado, acordei sem flores e sem doces. Apenas senti o frio que fazia sempre quando ele não estava ali pra suprir tudo o mais que eu poderia sentir falta. Flashes viam à minha mente, ele sorria e balançava o cabelo, em sinal de não, fazia isso sempre quando eu o fazia rir com piadas que não tinham sentido, mas de alguma forma sei que ele sempre adorava quando eu as contava, era um jeito bobo meu, mas se o fazia sorrir, era o que importava.
 Nesse dia, ele não ligou como costumava fazer em suas viagens, e eu apenas esperei, sentei, e num porta-retratos uma foto me fez assistir algum momento que eu esquecera. Simplesmente foi o dia em que nos conhecemos, não era verão, mas estávamos na praia, os únicos de frente àquele imenso mar que nos intimidava à mergulhar. E Ele era tão cavalheiro. Estava com roupas comuns, talvez uma camisa branca quando veio até mim, conversar sobre o que eu poderia estar fazendo naquela praia, mesmo sem Sol, mesmo num dia nublado. Eu apenas disse que não importava onde o Sol queria estar, o mar poderia continuar belo na sua ausência, mesmo num dia nublado. Ele concordou , e entre conversas e sorrisos, nasceu naquela praia um amor que atravessou anos e ainda existe....
 Acho que a única certeza que tenho na minha vida é seu amor por mim, o meu por ele, e nós dois...juntos... pra sempre... Finalmente o telefone toca, mas não era o seu número. Atendi normalmente. E desliguei entre lágrimas. Todas as minhas certezas haviam ido para o lixo, assim como o nosso para sempre.
 Tinha que me confirmar que os dias seriam sempre nublados e frios, que nunca mais haveria flores e doces, e que o mar seria pra sempre sozinho sem Sol... Que não visitaria mais a Lua, nem Júpiter e nem faria mais aparecer sorrisos com piadas bobas...  Tinha que me confirmar em estar incompleta, na perda da minha metade. E que não era mais especial, agora seria apenas mais uma de muitas outras histórias nas quais a alma morre, mas o corpo permanece vivo.

Nenhum comentário: