domingo, 21 de outubro de 2012

Pensamento do dia : "Um convite, uma fuga, um pedido de perdão e uma volta por cima"


"E sempre quando acordo tenho vontade de voltar no tempo, umas vezes pra concertar uma burrada, outras pra pedir perdão, outras pra fazer o que eu tive vontade e ainda umas pra dizer o que ficava guardado."
  Essa era uma das frases de uma menina boba, boba assim como eu, que ela costumava dizer à todos. Ela tinha os cabelos cacheados, tinha belos olhos castanhos que combinavam com o ruivo do seu cabelo. Possuía um belo sorriso envolto de uma boca levemente avermelhada, que se destacava na pele pálida de quem não gostava muito de sair.
 Ela sempre quis ter vários amigos, ser popular, sair para baladas e voltar com o namorado. Mas invés disso, tinha três amigos inseparáveis, noites na frente do computador e uma televisão pra passar o tempo. Não se preocupava com a roupa que usava, nem como seu cabelo estava, ela estava ocupada demais pensando, prestando atenção em cada detalhe à sua volta, anotando cada passo da sua vida no seu diário super secreto, e tentando refletir sobre a vida de seus amigos.
 Um desses três amigos, se apaixonou pelo jeito distraído e curioso dela, e numa noite cheia de estrelas a chamou para sair da frente daquele computador e simplesmente sair, não com vários amigos, mas só com ele, a chamou para que eles pudessem apreciar a lua enquanto ele tocava "She's the one" pra ela. Mal ela sabia, que poderia voltar daquela noite com um namorado.
 Ela achou estranho o convite, ninguém - absolutamente ninguém- antes havia lhe chamado pra ir a lugar algum à noite, e simplesmente de calça jeans, com uma camiseta lilás ela sorriu para ele, e disse sim.
 Eles foram numa bicicleta amarela, com uma cesta na frente - onde estavam escondidas algumas flores- para onde nossa pequena menina nunca havia ido, ele a levou para a montanha mais alta da cidade, a pegou no colo, e a colocou no chão como uma pena.
 Deitados e de olhares fixos nas estrelas, eles não viam mais ao seu redor, era como se estivessem hipnotizados um pelo o outro. Foi quando ele se ajoelhou, roubou uma linda flor da cesta e simplesmente se declarou ali à luz da lua, para a menina que tinha seu mundinho fechado, que era só ela naquele mundo que havia criado para não se entristecer com o resto do mundo. Ele disse tudo o que seu coração podia sentir, e o que não conseguia falar, escorria pelos olhos verdes. Ela simplesmente se levantou, apavorada com tanta emoção, e correu, correu o quanto não conseguia enquanto chorava por não conseguir dizer o que mais queria : "eu sinto o mesmo" . Ela também o amava, mas era egoísta demais pra admitir, era presa de mais pra viver algo tão livre.
 No dia seguinte, ela foi morar com a mãe, em outra cidade.
 E assim passaram anos, a menina cresceu, ainda presa, ainda acorrentada no seu próprio mundo, mas foi num dia comum , num dia sem surpresas desses de trabalho que ela reencontrou o garoto que havia se declarado pra ela. Naquele momento, várias coisas vieram à mente, noites em claro por não ter dito tudo o que ela queria, dias após dias esperando o momento pra se desculpar por ter fugido dos seus próprios sentimentos naquele dia.
 Então sem pensar duas vezes, ela simplesmente foi até ele, com um sorriso no rosto e uma lágrima no olho. Ele a olhou na alma, como se chorasse lá dentro. Ela, sem se preocupar com cumprimentos, foi logo despejando tudo aquilo que estava guardado fazia anos, ela finalmente podia se desprender daquele cadeado que a prendia desde criança. Quase caindo com o peso das palavras, ele a segurou nos ombros e abraçou, dizendo que sabia que ela sentia o mesmo, mas que o tempo passou, e ele não sentia mais o que sentia antes... Apenas disse tchau, e se foi.
 Boquiaberta, se apoiou na parede de uma loja qualquer, e se deparou com tudo o que houve. Tentando proteger seu próprio coração, nossa menina acabou por quebrar o do rapaz, que não conseguira perdoá-la por isso. Desnorteada voltou para casa, se deitou, fechou os olhos e dormiu, e quando acordou cuspiu umas palavras pra si mesma:
 "E sempre quando acordar vou dizer o que pensar, sem fugir. Não vou mais correr, não vou mais esconder minhas palavras, vou gritá-las, porque o tempo não vai voltar e nem dar outra oportunidade pra concertar meus erros. "
 E com o cabelo arrumado, um vestido bem-passado e um sapato alto, ela saiu com vários amigos em uma noite de festa, e voltou para casa de mãos dadas com alguém que acabara de receber a chave do seu coração semi-aberto.

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