domingo, 28 de outubro de 2012

Pensamento do dia: " Roteiro de um teatro em diário"


 "Já eram 3 da manhã quando acordei com uma mensagem no celular, dizia "Eu te amo, durma bem minha princesa" e é incrível como uma mensagem era capaz de fazer saltar um sorriso bobo e fazer meu coração saltar do meu peito. Deitei novamente no travesseiro que tinha o cheiro do meu shampoo, coloquei o celular por baixo dele, e finalmente dormi bem. De uma forma ou outra eu só dormia quando ele me mandava uma mensagem, seja ela qual que fosse, apenas um sorriso, ou até um tchau, mas era como sentir que ele estava perto, que lembrou de mim naquele momento, assim como eu me lembrava dele toda vez que piscava.
 Noite bem dormida, me sentei na cama, e tomei o cuidado de dar o primeiro passo com o pé direito, assim como de costume. Evitei me olhar no espelho e já peguei a escova pra arrumar o que eu desfiz à noite.
 Era segunda-feira, normalmente me vesti, esperando um bom dia qualquer ou até um oi. Mas nada.
 Pelos corredores da escola, a gente se encontrou, como fazíamos todos os dias, abraços, beijos, carinhos e palavras trocadas por aqueles- que segundo eu- se gostam. Nada demais pra quem está de fora, apenas coisa normal de namorados, mas pra mim era meu mundo, e eu não queria sair dele..."
 Isso foi há 2 meses, estava escrito numa pequena página de um diário velho cor de abóbora que eu costumava escrever quando achava que aquilo deveria ficar guardado pra sempre. Mas um dia a gente acorda e percebe que há coisas e pessoas, que não deveriam ser apagadas, mas sim nunca deveriam ter passado por nossas vidas.
 "[...]Os dias foram se passando, as mensagens pararam de serem enviadas, e não havia respostas das minhas. Não havia ligações nem abraços. Era só oi e distância. Era como se eu não tivesse sido nada, como se nós não tivéssemos existido.
 Eu apenas vivia como um zumbi agora, como se ele fosse minh'alma e tivessem arrancado-a de mim, com garras que logo logo saberia de quem. Mas de que importa? Agora eu apenas vagava sem coração pelas ruas, agora eu apenas desligava meu celular, sem motivos para ligá-lo, agora eu apenas era fria pro resto do mundo e lágrimas para mim mesma.
 E apesar de tudo, apesar de saber de tudo, ele nem se quer me disse o porquê, apenas apareceu de mãos dadas com outra qualquer, apenas a abraçou e beijou, e disse as mesmas coisas que me dizia, como se fosse um roteiro pronto, como se tudo não passasse de um teatro, que quando já estava tudo perfeito, apenas teria que trocar a atriz para poder sempre ensaiar, até um dia, trocar novamente.
 Não sei se ele percebeu, mas eu não sou uma marionete, e eu tinha um coração ainda inteiro, que ele ajudou a crescer e encher de amor do jeito que estava, e foi como estourar um balão com as próprias mãos, fazendo-o nunca mais poder estar cheio novamente."
  Diários que eu guardei, não queimei. Diários que só me fazem lembrar de coisas desprezíveis como essas. Mas tudo isso é bom, serve pra crescer. Mas não era preciso ler o diário pra me lembrar, era só por a mão no peito que ainda podia sentir que meu coração não batia mais como antes, que não estava mais inteiro. Foi como desmoronar um mundo e ir caindo, de uma vez só, ser trocada, ser substituível, ser parte de um show que não é seu.
 Só prometi pra mim mesma que não iria mais acreditar, que não ia mais construir tudo aquilo de novo. Que não ia construir um céu, e por ninguém como a lua. Que não iria participar mais de teatros. Que não iria mais ser enganada... que não iria mais "amar".

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